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sábado, 20 de junho de 2020

Nunca mais, nunca mais


Nunca mais, nunca mais.
Nunca mais
Atrevi-me dizer que te amo.

Seguro a voz na ponta da língua
Já por entre os dentes escapando.
E engulo de volta, a seco, as palavras.
Também desfaço dos olhos o brilho tirano.

O que escapa é vento, brisa morna
Que move levemente os ramos.
Não faz nenhum mal,
Jamais este amor lhe causaria algum dano.

Amor não faz mal a ninguém, garanto.
Nenhum estrago intencional;
Se o fizer é por engano.

Nunca mais me atrevo dizer que te amo. Nunca mais.
Agarro pelas costas as palavras
Que por brechas vão escapando
E lhes mostro outro caminho, amargo
Pelo qual, inocentes, vão se afogando.

Nunca mais direi...
A não ser que você peça,
Nunca mais vou dizer que te amo.

Represo assim este rio.
O que retenho é lava,
Liquido de amor que flui borbulhando.
Devia ser frescor para o mundo, mas
O mundo e você tem outros planos.

Em mim, volta à magma e desce queimando
Destruindo tudo; exceto
Este secular desejo de vida
Acordado há poucos anos.

Portanto a este amor engulo
Para não vomita-lo, de novo,
Ao desengano.