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domingo, 10 de fevereiro de 2019

No ninho do urubu


Toda tragédia, quando acontece de surpresa,
é como uma máscara que cai e expõe o horror da realidade.
Quando anunciada revela o valor predominante da humanidade.
Eis o triste compêndio:
Na madrugada da sexta-feira oito _ não era treze _ houve um incêndio.


Um container de sonhos
Num campo enorme, verde, imponente
Aonde dia e noite a ave alçava voo, na cabeça
Nas mãos e pernas de atletas inocentes.


Um container de sonhos virou cinza.
Atletas de ouro, crianças ainda,
Na flor da idade, carbonizados.


Quanto vale pra outrem a conquista da felicidade?


Ainda dizem: “acidente, acaso”
O descaso dos homicídios
Que interromperam a mocidade.


Acaso crianças são minérios do vale
Lavados, lavrados, extraídos da terra,
Como o pó da pedra, amontoados num trem
Pronto para serem vendidos?


Lamentam, decerto. Decerto que sim,
O quê? Como? Por quê?
Pelo contrato recusado;
Pela moeda não convertida;
Será
Qual perda realmente lamentam?
A promessa, a vida
Ou as condições da tragédia ocorrida?


No ninho do urubu tinha luta, hoje tem luto.
Amanhã, talvez tenha melhorias
E outros colherão o fruto.

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