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domingo, 10 de fevereiro de 2019

Minas sangra


Minas sangra
A terra padece
Muito ainda tem que padecer.

A consciência é fruto delicado.
Miolo de rosa, às vezes
Morre antes de nascer.

O homem... o que é o homem?
O homem é arbusto tinhoso,
Demora florescer.

Tornara-se acre, Minas.
O cheiro, entanto, não é do ananás.
Das entranhas da terra sai lama, borra
Veneno de satanás.

Escorre da serra venosa das minas
Vida e a morte
Expurgadas com a seiva vital.
Minas, hoje, é lama infecciosa
Aonde fora fértil lamaçal.

Lama de minério, lama viscosa
Lama tóxica
É doença que vasa no quintal.

Minas, preciosa e rica,
Contaminada,
É nada.

Das entranhas expele o pus _ sabe como é?
Doença hemorrágica da ambição.
Nada sobrevive a este mal
A menos que aja de coração.

Quanto vale a vida? pergunta o poeta.
E do ventre ressequido vem o lamento, um gemido, um grito;
E no vale umedecido de lágrimas
Não, Minas, hoje, não cabe no coração.

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