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quinta-feira, 14 de março de 2019

O breve discurso do ministro

Horário de almoço.

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, abriu a sessão com breve e velho discurso sobre violências e tragédia, em menção ao ocorrido em Suzano. "Não podemos aceitar que o ódio entre em nossa sociedade." Isso e outras coisas não me saíram da cabeça.

A vaidade profissional, natural de quem ocupa cargo de poder, não deixa servidor de destaque ver que o país mudou, a realidade é outra.
"Violências como essa não fazem parte da nossa cultura." Será mesmo?

Há muito tempo a violência faz parte da cultura do nosso país. A covardia e o desespero vão mudando a cara, deixa de ser um grito silencioso, simples assim. Logo teremos uma violência típica, exclusiva, com a cara do Brasil sitiado e globalizado.

Entre as afirmativas do seu discurso, nas pausas, ensaiadas, de silêncio e marcescível expressão de comoção, o juiz poderia abrir espaço para um relevante e profícuo debate: segurança pública, responsabilidade do poder judiciário e responsabilidade social. Visitas ao palco de tragédias e palavras de condolências e solidariedade não atendem às necessidades de uma nação que clama por atitudes de benefício e respeito.

"A juventude traduz futuro e esperança." Aonde?!

Pergunto a mim, e aos excelentíssimo, senhoras e senhores, onde falhamos, o que e onde omitimos e deixamos de fazer, e o que podemos fazer de imediato para evitar horrores como esse.

A verdade é que, a juventude não tem esperança, não enxerga futuro porque não existe horizontes; além do que se vê abandonada, em descaso, ignorada pelo poder público e pela sociedade. Têm-se apenas um “se vira!”, “acredita!”, “FODA-SE!”.

O almoço fica indigesto. Volto para o trabalho.
As reformas, trabalhista e da previdência, são provas atuais de atos cruéis de desrespeito e desumanidade. Amanhã veremos tragédias iguais dentro de empresas privadas e estatais. Principalmente estatais de economia mista.


Você, excelentíssimo, e eu, e o dono do mercadinho, dormiremos de consciência tranquila? Não. Não se ainda formos humanos.
Pronto falei!

quarta-feira, 13 de março de 2019

Loucura urbana


Desafios.
Alguns eu venço diariamente:
Levantar toda manhã;
Ir para o trabalho sem pensar no sacrifício _ é osso!
Entretanto, trabalhar é bom. Eu gosto.
Ao fim do dia estou exausto, morto.
Pela manhã ressuscito.

O mundo é impuro.
Sou mundano.
Muito do mundo me cura.
Muito há de engano.

Ele é cinza, o mundo.
Quando não, quase sempre, é escuro.
Ai está o bom das ervas.

Pinto, risco, coloro, assopro o giz
A autoestima sobe;
Se não a engole o dia
À noite o mundo a si mesmo colore.

Veja o cárcere, adormecer.
O mosquito, o teto, zonzeira...
O relógio zonzo.
Mais zonzo que as horas,
O tempo.

Suplício é ter em quem pensar estando só.
Sexo, é uma esponja de ilusões umedecida.
Se posso, gozo. Senão…

Vejo a lua entrar pela janela.
Quando não há por abrir rasgo o teto.
Já criei firmamentos que nenhum gênio imaginara.

O mundo é um campo de batalha.
É o destino, é a vida.
Tens um mapa? Uau!
Onde começa e acaba o labirinto?
Fico ébrio.

Leio-o, o mundo, muito.
Muito ler cega.
Disfarço.
Na verdade, sou disléxico.
Às vezes me faço.
Sigo.

Desafios,
Noite e dia.
O círculo tem sombra e luz.
Claro, se há sombras, logo...
“A consciência nasce do contraste”, dizem.

À noite, a mente não enxerga sinal vermelho.
Uma nave em cada via, ou muitas em todas.
Cria-se para si galáxias e órbitas.

O ser humano está em fase de mutação, acelerada.
No que ele está se transformando?
Doenças comportamentais.
O diagnostico é um desafio.
Evolução?

Amanhece.
Se somos imagem e semelhança de Deus, não somos humanos.
Ele disse: “Façamos o homem”, homem e mulher os criou.
Humanos, pode ser que já existissem.

O transporte pública sufoca o trabalhador.
O trabalhador sufoca o trânsito.
O transeunte erra.

Desgastante sacrifício.
O assédio, a humilhação, a resistência
Pouca recompensa.
Aquém resiliência.
Talvez, fôssemos todos políticos o sacrifício fosse menos.

Pensando friamente, crer em um deus, criador do universo, é loucura.
Friamente pensando, não crer é loucura maior.
Tudo do nada, por nada. O homem...
Conscientemente, loucura é em nada crer.
Bem, prefiro crer Deus inspiração.

As pernas lisas, roliças, brancas como curau.
As pernas trementes fazem tremer minha imaginação.
Um enrosco na madrugada, quem o tivera?
A coxa arranhada.
Alguém foi feliz na madrugada.
Madrugada fria.
Contas a pagar… devo um livro pra biblioteca… minha bursite...
O mundo é desigual. Tudo é desigual!
Injusto!?
Conheço o homem.
O que será que a atraiu?
Ele é feio, mal-acabado; pior que exótico.
Exótico seria elogio.
Feliz é o outro.

O pão da minha fome o suor não o produz, fermenta-se na insubstancialidade.

Espero o sol.
Não quero morrer com fome.
Afinal, sou ou não divino?

domingo, 10 de fevereiro de 2019

No ninho do urubu


Toda tragédia, quando acontece de surpresa,
é como uma máscara que cai e expõe o horror da realidade.
Quando anunciada revela o valor predominante da humanidade.
Eis o triste compêndio:
Na madrugada da sexta-feira oito _ não era treze _ houve um incêndio.


Um container de sonhos
Num campo enorme, verde, imponente
Aonde dia e noite a ave alçava voo, na cabeça
Nas mãos e pernas de atletas inocentes.


Um container de sonhos virou cinza.
Atletas de ouro, crianças ainda,
Na flor da idade, carbonizados.


Quanto vale pra outrem a conquista da felicidade?


Ainda dizem: “acidente, acaso”
O descaso dos homicídios
Que interromperam a mocidade.


Acaso crianças são minérios do vale
Lavados, lavrados, extraídos da terra,
Como o pó da pedra, amontoados num trem
Pronto para serem vendidos?


Lamentam, decerto. Decerto que sim,
O quê? Como? Por quê?
Pelo contrato recusado;
Pela moeda não convertida;
Será
Qual perda realmente lamentam?
A promessa, a vida
Ou as condições da tragédia ocorrida?


No ninho do urubu tinha luta, hoje tem luto.
Amanhã, talvez tenha melhorias
E outros colherão o fruto.

Minas sangra


Minas sangra
A terra padece
Muito ainda tem que padecer.

A consciência é fruto delicado.
Miolo de rosa, às vezes
Morre antes de nascer.

O homem... o que é o homem?
O homem é arbusto tinhoso,
Demora florescer.

Tornara-se acre, Minas.
O cheiro, entanto, não é do ananás.
Das entranhas da terra sai lama, borra
Veneno de satanás.

Escorre da serra venosa das minas
Vida e a morte
Expurgadas com a seiva vital.
Minas, hoje, é lama infecciosa
Aonde fora fértil lamaçal.

Lama de minério, lama viscosa
Lama tóxica
É doença que vasa no quintal.

Minas, preciosa e rica,
Contaminada,
É nada.

Das entranhas expele o pus _ sabe como é?
Doença hemorrágica da ambição.
Nada sobrevive a este mal
A menos que aja de coração.

Quanto vale a vida? pergunta o poeta.
E do ventre ressequido vem o lamento, um gemido, um grito;
E no vale umedecido de lágrimas
Não, Minas, hoje, não cabe no coração.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Bromélias de Minas


Acabou-se o leito do rio
_ nosso pequeno riacho _
E lá se foram todas as bromélias
Arrastadas rio abaixo.

E o ninho de Guaxo?! Tinha filhotes.
Quem viu, viu; não os vereis jamais.

Foram levados pela enxurrada de lama
Do estrato ferroso das minas de Minas Gerais
Ai, acabou-se o leito; acabou-se o rio
Acabaram-se os quintais.

E os nossos sobreviventes
_ sim, hão de sobreviver à dor!_
Ao tocar adiante a vida, contarão histórias,
Porque uma tragédia nunca é esquecida.
Enfim, contarão histórias verídicas
Dos entes seus e de outras famílias.

E alguém há de se lembrar das bromélias
Dos beija-flores, do guaxe, dos destroços…

Será que alguém viu naquele carvalho,
Aquele dia,
Naquela manhã
As novas orquídeas?…

domingo, 27 de janeiro de 2019

Prazer e solidão


Na noite monótona de silêncio
Em que parece imóvel o tempo
E se ouve apenas a respiração
E o pensamento
É difícil conter a angústia,
Tão grande é o sofrimento de quem ama.

O coração se inflama, não cabe no peito
E não há remédio que dê jeito
De conter o desejo, a dor, e a solidão.

Cria-se e recria o ambiente perfeito
Como preparasse o leito
Sabendo tão breve o prazer
Como breve é a vida e sua ilusão.

Depois vem o vazio
Como embrulho sem conteúdo
O prazer do nada, absurdo
A queimar-se de frio

E a chama gelada murcha o coração
O alívio é adormecer
Mas logo vem amanhecer
E renova-se a aflição.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

A maldição do minério


Minas tornou-se um mar de lama,
Castigada pela maldição do minério.
Vale tudo nos vales de Minas, porém
Nada vivo tem valor sobre a terra.

Incêndios, tratores rasgando as serras
Causam angústia, dor, aflição de cemitério.
Aonde antes havia curió, suçuarana, quenquém
Nada canta, só tem feridas _ mazelas do império.

Ouro Preto, Itabira, Congonhas, Santana,
De belas artes barroca e contemporânea,
Guardam bons causos de poetas, nativos e doutras bandas.

Mas o retrato de Minas são os rios, serras, belas cachoeiras
_ belas estâncias _;
Entanto, de ali: Ipatinga, Brumadinho, Mariana, hoje
O cenário é de grande tragédia, pesadelo;

Aonde, antes, era humanidade, esperança, novenas _ muita reza e riqueza _,
Instalou-se a corrupção, a bolsa, a ganância, a frieza mundana
E Minas sufocada está num imenso mar de lama.

domingo, 20 de janeiro de 2019

Uma característica do amor


Que força poderosa tem o amor!
De aparência frágil, inocente,
nasce determinado, rompe barreiras
bem cuidado, impulsiona a vida pra frente;

Qual planta viçosa abre fendas no asfalto
vence as pedras mirando alto, o céu
Inda floresce,
E cativa a alma da gente.

Gosto de pensar o amor assim, bem cuidado
Como fosse um jardim, meu e seu
E de quem passa, vê, ou mora ao lado.

Contudo, deveras frágil é o amor
Como flor que exige cuidado constante
Embora, sobremaneira forte, é frágil, inocente.

sábado, 5 de janeiro de 2019

Aos donos da pátria

Pátria amada
desarmada
desalmada
Da esperança tua fizeram mito.

Teus filhos legítimos, agora
novamente vencidos
sem norte vagueiam. Por hora
sonâmbulos bambeiam, incrédulos
N'algum ponto do abismo.

Pátria amada
Desamada
Nenhum guerreiro lhe resta:
semideuses e deuses e tribos;
Inda assim teimo, me armo
_ de sinistra à destra _, arrisco.
Prisioneiro fico.

Do norte, do centro-oeste, sopra vento duro,
mas quem ousará apagar a cicatriz, o sonho, a vontade;
a digital que se cravou nos muros?

O que fazer do amor


O que fazer do amor quando,
não correspondido, incomoda;
incompreendido,
julgam-no errôneo, insano.
é nada;
apesar de belo, assusta;
temido é, sem o ser nocivo,
entretanto, teme que cause danos.
E ele salta,
vira e revira, desavessa alma,
contorce, dança, palmeia
como pulga bailarina, minhoca,
no palco-abismo rasteja
à própria sorte?

Tão imenso, visto à sombra
Tão nobre, de decoro, uma muralha invisível
que, à meia-luz, tanto agrada quanto assombra
almas pequeninas
tal fantasma deixando a cruz!

Ribombo
no peito o gongo cala.
Infinitamente morre.
Eternamente vaga
lume
espirando luz.

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Pores do sol


Sinto-me mais enfraquecido a cada pôr do sol.
Quisera eu o sincronismo do pensar, sentir, e viver.
Mas não sou tão forte quanto imaginava ser.

Embora certas manhãs eu acorde bem-disposto
A minha alma enfraquece ao longo do dia, morre
Morre um pouco a cada sol-posto.

Morre um pouco.
Minh’alma,
Morre ao entardecer.
De que outra forma seria
Acaso, sem poente, o sol voltaria nascer?

Morre. Morro.
Morre a alma,
Morro o corpo.
Sou um e outro; tudo
Um pouco.

Não sei bem quem ou que eu sou
Sou o que sinto
Muito sinto do que vejo
Ali estou.

Vejo muita coisa invisível
Todavia tangível estou
Quando, tanto quanto visível
Porque vejo e sinto.

Por isso sofro
E muitos eu sofre em mim
Porquanto, hei-me pouco inteiro

No fim tudo é começo
_ isso porque sou otimista.
Sem destruir sonhos, contudo
Morre homem, sonhador, alquimista.,,

Pores de sol e novo amanhecer,
Acaso, sem poente, o sol voltaria nascer?