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sábado, 29 de dezembro de 2018

Corre-corre


Você corre, corre
E nem sabe pra onde.
Corre, corre
Não sabe porque
Corre apenas
Corre e se cansa, sabe
Não sabe correr.

Apenas corre, não;
Você luta.
Você é forte, valente.
Luta.
Rói unha, range os dentes.
Você luta.

Luta por quem?
Por quê?
Luta por causa?
Sabe, não sabe.

O coração já reclama
Há indícios
E você acelera, vai
É vício.

Mas você é responsável
Honra seus compromissos
É honesto.
Você só não é esperto.
Nunca foi.
Decerto

Você é solidário
É solitário;
Talvez seja admirável.
Mas não é admirado;
Se é não sabe, não vê,
É demais ocupado
Precisa correr.

Acaso haverá alguém que te ama?
Ilude-se, sim.
Ai você diz: tudo a seu tempo.
Mas você não se dá tempo.
Devia ao menos dizer,
de vez em quando,
Eu te amo.

A ampulheta não detém os grânulos
No fim, acelera-se e rareia.
A vida, meu caro, escoa-se
É tempo que se conta na veia.

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