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domingo, 30 de dezembro de 2018

O ator e cena


Silêncio
Cai a cortina
Primeiro ato
O palco se ilumina.

Você tem pressa
O tempo parece curto
Mas, calma, é suficiente.

Não resuma,
Envolva-se, se entregue
Primeiro, se autodefina-se.
Seja breve e eficiente.

O palco se move.
Entretanto, cenário parece permanente.
O drama é análogo, monólogo,
Todavia envolve muita gente.

Não desperdice energia
Moralize-se, realize-se
Justifique a tua estadia.

Seja humano, verdadeiro, faça um brinde, viva!
Beba teu cálice inteiro.
O que há? sabe-se lá!
Licor, cicuta, mate, néctar ervas finas...
Ninguém sabe o fim do ato
Ou quando se cerrará a cortina.

De improviso virá a partida.
Daí, reticências
Próximo ato, mistério,
Outra vida.

Bon Voyage

Antes que a porta se feche, escolha um caminho.
Converse com Deus, faça uma prece
Construa seu destino.

Acredite, você merece.
É abençoado.
Foi escolhido para um reinado.

São dois caminhos para o amanhã:
Um deles oferece armas
O outro pão.

Se houver conflito, que seja entre sensibilidade e razão.

O mundo precisa de paz!
_ talvez reclame o coração.
Rumo à paz sempre haverá dor
_ talvez te golpeie impassível razão.

Dois instrumentos levam à paz:
Armas e pão. Então escolha
Morte culposa ou aflição.

O caminho para o amanhã é só de ida.
Do hoje só se leva o que de ontem ficou
E o que agora se constrói, evidente.
O que se faz hoje é colheita,
Também é para o futuro
Semente.

O que cabe na bagagem? Tudo.
Ideias, instrumentos, parafuso...
Mas tudo isso, concreto e abstrato, é peso
Pura ilusão.
O que se busca é o que se leva;
Ou seja,
O que já existe no coração.

O que trazes na tua mochila de conflitos?
Antes de partir revise, feche o zíper, confira o bolso.
Não corra! Logo saberá porquê.

O dia é sempre nascente e sol-posto
Assim também a gente passa pela terra.

Mas para hoje não se volta
Ao passar deste a vida encerra
Fecha-se a porta.


Bon voyage!

sábado, 29 de dezembro de 2018

Corre-corre


Você corre, corre
E nem sabe pra onde.
Corre, corre
Não sabe porque
Corre apenas
Corre e se cansa, sabe
Não sabe correr.

Apenas corre, não;
Você luta.
Você é forte, valente.
Luta.
Rói unha, range os dentes.
Você luta.

Luta por quem?
Por quê?
Luta por causa?
Sabe, não sabe.

O coração já reclama
Há indícios
E você acelera, vai
É vício.

Mas você é responsável
Honra seus compromissos
É honesto.
Você só não é esperto.
Nunca foi.
Decerto

Você é solidário
É solitário;
Talvez seja admirável.
Mas não é admirado;
Se é não sabe, não vê,
É demais ocupado
Precisa correr.

Acaso haverá alguém que te ama?
Ilude-se, sim.
Ai você diz: tudo a seu tempo.
Mas você não se dá tempo.
Devia ao menos dizer,
de vez em quando,
Eu te amo.

A ampulheta não detém os grânulos
No fim, acelera-se e rareia.
A vida, meu caro, escoa-se
É tempo que se conta na veia.

domingo, 23 de dezembro de 2018

Viva hoje


Você quer realmente?
Faça hoje; agora.
Olhe nos olhos
Aprecie
Toque
Seja ousado
Diga o que sente, se está encantado, diga
Se está incomodado,
Peça perdão, perdoe;
Se perdoa, diga
Admire
Diga que ama
Abrace, acaricie, beije
Faça amor, agora.
Esquece o banho, por enquanto;
Afinal, o que são poucas gotas de suor se o imenso mar transborda _ que mal faz? _ faz parte.
Compromissos, suspenda-os, adie.
Depois sim, banho. Lave a alma.
Aí sim, repita tudo novamente, pausadamente,
Com calma para não perder o fôlego e o sentido.
Ah! aproveite o momento de paz.
Silêncio.

Quando pensamos ter tempo demais, e deixamos a felicidade para depois, tempo é o que nos falta de sobra para o resto da vida.

De repente silêncio




De repente luz.
De repente tudo é colossal.
Pequenos monumentos preenchem o mundo,
Não há sequer um espaço vazio.

A luz dispersara a escuridão.
Cria-se sentidos.
Aos olhos da criança tempo não existe;
Apenas movimento é o que há.
Espectros, sombras, o branco e negro compõem-se.
Nas cacofonias revela-se a vida.
Sons naturais, mecânicos, de pensamento…
Uma lágrima presa, seu trovão, e terremoto cerebral, silencioso…

O que é sem brilho é mórbido, apenas.
O que é desconhecido é algo indefinito, apenas.
Com o tempo, a luz penetra nas frestas, então,
Parece que o mundo clareia.
Nada detém sequer um raio que compõe a réstia.
Oculto sol.
Mas, inda que haja luz, é silêncio.
Tudo é silêncio,
Colossal.

No natal, gosto de ver os abraços, a euforia,
O jeito acelerado de preencher os vácuos,
O colorido que se dá aos olhos
E o ofuscamento dos olhares sem brilho.
Gosto disso.
Gosto dos abraços.
Vê-los acontecer me faz bem _ parece nó que se ata e desata sem embaraço.
Alguns parecem verdadeiros,
Mas de repente, silêncio!

Quando a gente entende que o mundo é uma ilusão a gente fica perdido.
Quando a ilusão se torna mentira a vida fica vazia.
Eles lhe roubam abraços, atenção, tempo... fazer o quê “o semelhante é semelhante”, penso.
Todos têm seus defeitos, tenho cá os meus.
Se me enlaço não mais me desembaraço _ não sem dor.

Muitos terão seu abraço...
… Mas sou eu quem verdadeiramente te ama.

Breve é essa luz, breve os sons, breve o visível e o invisível.
Breve tudo, talvez; quem sabe!
Talvez algo fique. Quem sabe!
Breve o porvir?
O que sabe a larva do seu futuro? Do quê e por que temer:
os ferrões das formigas, o bico do passarinho, o casco do bode, a pata do cavalo, a sola do sapato, a eletricidade dum raio, a solidão do casulo… voar!
Crisálida é a vida.
Voar…

Depois, silêncio.