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domingo, 16 de abril de 2017

A viagem

O que é, afinal, a velhice? 
Eu já sinto os sinais da velhice.
Levo alguns segundos para me equilibrar em um pé só quando vou me trocar;
às vezes me apoio em um móvel ou na parede.
Tenho picos de sonolência;
sonhos se confundem com miragens e alucinações.
Lembranças vêm e vão. Ideias disputam a vez no pensamento e nunca tenho escolha do que pensar.
Tenho visões. O pensamento é nítido e detalhadamente chega à velocidade da luz, ou mais.

Leio as fisionomias e posso profetizar.
Pensar no tempo às vezes me causa aflição.
Minha imagem no espelho sempre me surpreende.
Estou mais tolerante a tudo, porém não indiferente; pelo contrário, mais envolvido.

Sou mais compreensivo.
Ando devagar.
Mesmo acelerando o passo as pessoas me ultrapassa.
Contemplo coisas bem mais que antes e de modo muito mais profundo.
_ A profundidade de todas as coisas começa no superficial, entendo isso.

Ontem eu estive lá.
Vi os meus e os teus. Não estavam alegres nem tristes.
Muitos eu já os conhecia antes mesmo de tê-los visto, outros assim que os via. Outros eram recordações.
Sabia tudo sobre todos instantaneamente.
São mais leves que pluma.
Não são alegres nem tristes, vivem em estado de graça? 
O que isso significa? 
Eles me aguardam futuramente, breve, mas não se surpreendem com as minhas visitas repentinas.


Será que envelhecer é...
Morremos quando compreendemos o limite da vida?

Ah, sim, eu estive lá.
Ah, de longe são pontos de luz. De perto é uma luz multicolorida, suave, condensada.
O diálogo é por telepatia. Os sorrisos alvos. Tudo se sabe de tudo.
Há música suave no vento. Há sol brando. Há silêncio. Há insetos e aves e orvalho nas folhas e água corrente. Há vida. Tudo é vida.
Eu não a vi por lá _ você a quem eu procurava. 
Onde você estava?

A minha cabeça não dói, mas sinto que há uma pressão. Dentro tem outro universo. 
Bom dia!
Feliz Domingo de Páscoa!

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