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quarta-feira, 23 de novembro de 2016

O buraco do metrô

Jogaram na privada
A linha quatro do metrô;
Não cabia tanta merda
O buraco se zangou.
O buraco fingiu sono
O buraco fingiu fome
O buraco fingiu luxo
O buraco fingiu tudo.
O buraco fingiu. 
O buraco crescia e ninguém via.
O buraco tava com fome
O buraco engoliu o lixo
O buraco engoliu o pombo
O buraco engoliu homem.
O homem tava no buraco
O homem tava com fome.
Ninguém via o crescer o buraco da fome?
Ninguém via o buraco comendo homem?
E o homem do buraco alimentado à fome?
E a fome comendo o homem?
Comendo a fome do homem.
O buraco engoliu rua
Engoliu carros
Engoliu o homem _ homem trabalhador.
Engoliu a grávida, o tio, o avô
 Engoliu trator
Engoliu tudo:
O cego, o surdo
Até o criado-mudo.
Escapou o monstro.
O monstro é cria de Personas
Tubarões, donos,  sócios e fiscais,
Outros são peixes pequenos
São meros animais.
O buraco ainda faz vítimas
Fizera naquela sexta sete vítimas fatais,
Mas aos olhos da justiça não há culpado
O que houve foi má sorte, pois,
Várias faces tem a morte
Entre elas fenômenos naturais.
Ademais, nem tudo na vida tem final feliz
Cada família que chore os seus
Se quiser achar culpado, disse o juiz,
Ponha mais essa na conta de Deus.
O buraco engoliu o bicho.
O buraco engoliu o homem.
É o buraco da corrupção.
Ainda tá engolindo gente
Tem uma fome de leão.
É buraco da propina engolindo o cidadão
É o buraco do metrô, buraco do Tatuzão.
Eita buraco feio;
Eita buraco do cão!

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