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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Depois da folia

Quando acaba o carnaval, enquanto se cura de ressaca, todos tentam cobrir a nudez.

Enquanto se vestem das velhas fantasias, as pessoas tentam angustiosamente incorporar o morto encharcado de ilusões e hipocrisias. 
Alguns até se vestem de santo. Outros se vestem de pastores, e outros de pastoreiros;

E pegam seus cajados e tralhas para se sufocarem por um ano inteiro. Ou até que se improvise um carnaval fora de época.

Quem é o verdadeiro? 
Após uma semana de rotina já não se sabe mais. 
A fera vai ficando mansa, doente, moribunda, sendo consumida pela melancolia e pelo stress diário dos afazeres.
Mas ainda restam sobras da folia, da lambança, delírios, o cheiro ou
azedume disfarçado dos dias e noites de orgias.

Frutas podres do cesto vazio que a gente cheira, come, se empapuça e se envenena, por uma fome e sede que nunca sacia. A fome de vida.

Essas almas inquietas!...
Ah, essas almas!

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