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segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

En Aranjuez Con Tu Amor_Davi Garrett

En

O voo

O voo

Ao ser tocado por aquele olhar envolvente
De tão intensa ternura
O corpo inteiro estremeceu
E de dentro o Eu desperto mansamente grita:
"Eis-me aqui!"
E eis que Ele sou eu.

E curvando-se ao amor
O horizonte se abre revelando cores jamais vista
E entre o céu e a terra tanta ternura já não cabe
E o pássaro voa jubiloso pela conquista.

Liberta alma deleita-se sob a luz
Em êxtase voa num sonhar quase infinito
Sem saber-se ainda alegre ou triste
Ensaia o novo canto
No silêncio do próprio grito.

Sabendo-se, pois, que existe céu
E amar é sonhar sem limite
Ciente que precisa voar
Porque o templo do amor existe.

Mas sonhar não é o bastante
E voando só não se alcança o paraíso
É preciso pureza e doçura em voo rasante
É preciso ter fé na loucura e, da loucura não ter juízo.

A face do amor é a tua face
Tem a mesma ternura e brilho
A face do amor é Divina e humana
Senão não seria amor, seria apenas Divino brilho.
A face do amor tem beleza e perfume
Mas também cansaço de peregrino.

A face do amor é a tua face
E tem o teu nome...

domingo, 17 de janeiro de 2016

Domingo



O mundo é grande mas hoje não tinha lugar pra mim.
Fui para a rua andar.
Procurei um amigo...
Onde estão meus amigos?
Quem são?

Árvores altas de densa folhagem circundam a praça.
Seus galhos longos e flexíveis se entrelaçam uma à outra e dançam ao ritmo do vento que brinca alternando o compasso.

O baixo canteiro é vão aberto e estreito, com pequenos arbustos e cercado por baixas paredes retilíneas de pedras chatas, claras e escuras, e na ramagem abelhas voejam.

Os pombos catam coisas quase invisíveis, arrulham, dançam, trepam, e novamente dançam e se coçam se atacam; abrem asas e transam. 
Toda essa atitude certamente é um ritual de amor.

Formiguinhas passeiam, param e se cumprimentam, mas pouco se falam, e seguem como que procurando algum tesouro.

Maracanãs. 
Três crianças brincam com seus cães; o velho batuca nas pernas; o casal com filhinho de colo para à sombra e discutem e se ofendem, no olhar agressivo não há sinais de ternura...

Um homem chega e espera desconfiado e impaciente. Mas logo surge um garoto forte saudável e bonito. Eles sorriem, se abraçam, brincam, jogam palitinho e o pequeno deita em seu colo e fecha os olhos ao receber cafuné. 
De longe alguém espia, é mulher.

Como saber se o que parece certo é o melhor?

O vento corre em círculo, chega por onde estou, entra e  segue sempre da direita para a esquerda. As minúsculas folhas verdes ditam o tom e as adjacentes ramagens respondem num grave mediano e vai ao agudo suave...
E quando o vento fecha o círculo, as minúsculas folhas verdes encerram a toada. 
Dir-se-ia o poeta mineiro, uma singela sinfonia.

A dança parece uma quadrilha e a toada são versos declamados entre sussurros e suspiros. Ou talvez lamentos e gemidos... queixas.

Eu os invejo _ os pombos _, liberdade de ser e amar. Trepam livremente; e dançam.
E a árvore  me reprime atirando frutos secos em mim.
Ergo a cabeça e por uma fresta daquele vaivém dos galhos vejo a lua branca acinzentada como uma pequena fatia de nuvem perdida.

Eu vi a lua em pleno dia por entre as folhas dos arvoredos...
E é verão.
Mas hoje tem sol, tem sombra e tem vento.
As flores são minúsculas, pérolas azuis e amarelas na relva onde os marimbondos e joaninhas se divertem.

Hoje o dia é de um frescor divino.
O que eu mais posso querer?
Na verdade eu queria mais uma flor, a flor ..., aqui comigo.
Mas o mundo, a natureza, a vida já fora generosa demais para comigo.

O pé de ameixa acomoda as ramas de maracujá e se mostra vaidosa ostentando frutos alheios como fossem enormes brincos verde-brilhantes.

Sinto sede. Em locais públicos não se encontra água nem para gente nem para bichos. 
_ Caberia uma lei, penso.
Já sinto frio...
Melhor movimentar-me. Saio.
Ando ao sol.

Na outra praça, muitas crianças, idosos, casais de namorados e traficantes.
O olfato capta erva proibida.
A criança cai, é valente, o pai tira as rodinhas. A mãe briga.
As mães solteiras parecem ser mais felizes.
Namorado de mãe solteira é mais atencioso e demonstra carinho...
Travestis são ousados.
Eu perco a poesia.


O vento cessa e se faz brisa. É quando posso ouvir o zunir das abelhas e o cricrilar selvagem na minha cabeça.
Mas a natureza é generosa e ordena ao maestro que recomece o concerto.

Eu saio.
Dezoito horas, deve ter finda a visita.
Atravesso a rua atento ao perigo. Ando, ando, ando... caminho mergulhado em fantasias.

O mundo é grande mas hoje não tinha lugar pra mim.
Fui para a rua andar;
Caminhei, caminhei, 
Nem sequer por um instante estive sozinho.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Todo mundo um dia cresce

Cresci.
Um dia a gente cresce, dizia meu velho, todo mundo um dia cresce.
Cresci.
Aprendi a caminhar sozinho
_ isso, depois de entender que sozinho não se chega a lugar nenhum _
Por isso hoje cultivo amizades.

Aprendi a respeitar o próximo
_ mas somente depois de entender que cada ser humano é único, e por isso somos diferentes, e por isso somos todos iguais _
Porque o próximo sou eu, visto que todos são iguais a mim.

Aprendi que a natureza é uma pluralidade de uma única essência.
Ah, e essa essência está em toda existência, em cada um dos seres, e o desafio da ciência é encontrá-la. Pra quê?

Aprendi interpretar poesias.
_ mas só depois de aprender a diferença entre ouvir e escutar _;
Então aprendi a sentir.
Aí eu descobri o sentido da vida.

Aprendi filosofar.
_ e eu que pensava que estivera enlouquecendo!
Aprendi o que é o amor
_ mas só depois de entender e admitir sua soberania, o seu poder incontestável de mudar o mundo_;
E ele, o amor, me ensinou que felicidade se constrói pela humildade e inocência.

Cresci. Não fácil crescer!
Mas eu cresci.
E como dizia meu velho: "Um dia a gente cresce; todo mundo cresce."
Cresci,
E agora sou criança.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Nasceu!!!

728X90:

Enfim é chegada a hora
A tão esperada hora
A hora da graça
A boa hora
A hora da luz.
Acabara de nascer _ o filho do tempo _, é lindo.

Faltou-lhe fôlego, brevemente,
Mas agora está tudo bem.
Inspirou e respirou
Suspirou fundo
Chorou.
E ao abrir os olhos sorriu pasmo.
Ai, houve uma explosão de alegria.

As luzes cegam no primeiro instante, isso é natural, é assim para com todos até que...
Até que se envelheça e se aposente do ofício da contabilidade.
No entanto permanecerá para a eternidade seus feitos e os efeitos, somando-se aos demais. Portanto, permanecerá sendo contabilizado.

O destino é o que é, e quando eterno é eterno e inalterável.
Mas com o passar do tempo cresce algo como dedos e eles se alongam _ é para acariciar e seduzir as almas _ para assediá-las _ e as pega por trás a cada momento de glória ou vacilo.

Esses longos dedos nascem de um único instante chamado segundo.
E esse instante se multiplica em segundos, e se desdobra em horas, e se faz dia.
Mas este também se multiplica, diversifica de tanto se repeitir, contabilizando em conjuntos de sete; e de sete em sete se faz conjuntos diversos que tornam mêses e, no primeiro aniversário, morre.
Morre para atividades vulgares, entretanto, continua vivo, útil, necessário, essencial para a renovação.
Mas, na verdade, tudo nåo passa de um. Um instante de segundo.
A eterna existência está atrelada ao primeiro instante.
E toda a natureza é acondicionada à inspiração do instante.
Louco, né?!

O tempo não tem forma, não tem idade, não envelhece, não tem movimento...
O tempo não existe. O que existe é o instante, aquele momento. O instante de luz que se repete.
Por isso, meus caros, respire. Este instante é único e é o teu momento. Viva!

Pode ser que não seja este momento de glória nem de paz, mas é um instante de luz, porque a vida é o mágico instante, a luz que não se apaga.

Feliz Ano Novo!

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