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quinta-feira, 14 de maio de 2015

O voo

A ave alça voo, sobe bem alto, além dos penhascos e colinas.
As montanhas se aproximam, se agigantam, revelando sobre seu dorso o cerrado, os montes, as nascentes, suas peculiaridades pouco conhecidas; exceto pelas nuvens. Atenta, a ave move levemente a cabeça para um lado e outro para  não perder nenhum detalhe. Ela sabe, por instinto, que toda a lembrança lhe será útil quando mudar a estação. E se entrega ao tempo.
E voa sibilando ao vento.
E canta a natureza, sempre na mesma poesia.
E gorjeando se reverencia; e em silêncio contempla o entardecer, misterioso poente é o véu da noite a envolver o dia.

Ela decora os caminhos, captura imagens, decora as paisagens: campos, vales, relva, as árvores, frutos e flores, estuda a geografia.
Tão deslumbrante lhe parece o mundo, os horizontes e a vasta paisagem.

Asas são para voo, mas também existe magia e prazer ao fixar as garras no instante do pouso e no fazer o ninho. E além!... Livre, ninguém está sozinho.
A ave declina. 
Tão vasta e deslumbrante é a vida.  

Num dado instante, mãos invisíveis cuidadosamente vai afastar o véu. A ave presente. Toda a natureza se manifesta num ritual de alegria.
Alguém orquestra a alvorada. Quem vai conduzir a harmonia?

E de repente dedos longos, luminosos, acorda o dia.
E as mãos se transformam em luz, e a luz esparge energia.
Quão generosa é a vida!... 
Então, ave-alma levanta voo até o cair do dia.

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