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quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Nick e eu


Chegou a hora de assumir nosso relacionamento.
Meu amigo Nick e eu não temos medo de fogos, mas nos incomoda muito o estrondo e o destino final das bombas. É muito ruim ser o alvo, assim, involuntariamente. Por isso hoje compartilhamos o sofá. Se estivéssemos em guerra, tudo bem. Acredito que nas guerras o barulho dos tiros incomoda menos do que o silêncio absoluto. Tem silêncio que ensurdece a alma. O silêncio que antecede a morte; O silêncio de uma paixão...

Eu estou em guerra,  mas é com o coração _ conflito de amor _, a razão queima feito pólvora. O coração se comprime; e compactado o amor inflama.

Nick parece entender o que penso e respeita minha imobilidade. De vez em quando ele abraça meu pé e tenta me arrastar para fora para brincar. Mas logo desiste, cruza as patas e apoia a cabeça sobre elas. E ali fica encabulado, a discorrer sobre tudo. Às vezes ele ri ou suspira profundo. A solidão é muito ruim; nisso nós concordamos. Sei disso porque após grunhir como um porquinho, ele baixou a cabeça e ficou me espiando, cheio de manha... compaixão talvez. Então, eu escrevo mais um verso e o leio para ele. Ainda bem que temos um ao outro!...

Embora ele seja um cão, já tenha tido sarna, mije por todo canto e solte pelos, gosto dele. Eu também tenho meus defeitos: sou alérgico, pouco sociável e estou aprendendo a latir. Às vezes acho que devíamos inverter os papeis. Nick é muito amável, sabe muito bem como conquistar e é fiel. Eu não. Ele seria um bom intelectual; um sábio talvez. Eu daria um ótimo cachorro de caça ou cão-guia. Mas reconheço que livre mesmo são os vira-latas.

Essa noite de réveillon vou abraçá-lo e até deixar ele lamber meu rosto. Que extravagância!
Tudo bem, melhor não prometer nada. Pra mim as coisas não funcionam assim. Nenhum dos meus planos deu certo. Estou longe de... Não viajei... Não bebo, não fumo e, e nessas noites de barulho sofro de insônia. Acho que vou fazer pão de queijo pra mim. Ah, vou dar repolho e cenoura para o meu amigo. Ele adora!
Aí amigão, feliz ano novo!


domingo, 28 de dezembro de 2014

Não é conselho, é observação




Ninguém, em sã consciência, jamais deveria dizer: perdi meu tempo.

Eu pensei ter perdido meu tempo e ele, o tempo, severamente se manifestou em mim.
Aí sim, eu me perdi no tempo.

Eu pensei que era perda de tempo, o amor.
Depois, eu pensei estar perdido de amor enquanto o amor se manifestava em mim.
Por isso o amor castigou-me.
Fui punido pelo amor e pelo tempo.
Ora, eu estava amando!
Ninguém, ninguém se perdi por amar;
Pelo contrário, no amor é que a gente se encontra.
Ah, mas eu amei. Como amei!
Amei tanto que perdi a noção do tempo.
E acredite: amar é um delicioso exercício.
O amor nos mantém em completo movimento. De corpo e alma.

Viver é estar em constante movimento, e amor nos põe em movimento para viver.
O amor nos deixa em completa harmonia com a natureza.
Nada que se faça é em vão, exceto ficar em inércia.
A inércia, sim, é perda de tempo.

Quando eu corri, corri, corri tanto e mesmo assim perdi o ônibus, fiz uma nova amizade.
Estudei pra caramba, mas fiquei de DP;
Aí eu prendi em uma semana o que eu achava impossível.
Trabalhei muito e não fui recompensado. Mas adquiri experiência.
Quis morrer, mas aprendi muito ao questionar a vida.
Reverti o desencanto e venci a depressão.
O meu hobby patético tornou-se um livro interessante;
Da minha história triste fiz um lindo poema de amor.
Saí pra andar à toa e tive uma ideia brilhante.

Nada que se faça em vida é em vão.
Depois da morte eu não sei. Mas pensar nisso também não é perda de tempo.
Não existe tempo perdido. O que acontece é tempo mal gasto, mal vivido;
Exercício mal feito;
Indecisão na encruzilhada _ Ser ou Não Ser.
Falta de fé;
Falta de dedicação ao ofício de viver.
Pense nisso.

Feliz 2015!

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Tentação


Hoje em dia...
É fácil entrar no mundo das contravenções. Nessa época de festança, então!...
Ufa! O natal passou. Mas vem aí o ano novo.
Nessa época você recebe velhos amigos, ou antigos colegas e parentes, e eles ficam avaliando seu barraco, medindo você e seu espírito _ como se tivessem capacidade pra isso. Muitos, mal conseguem suportar um sopro mais forte de brisa. Tremer-se-iam.

Bem, contam uma vantagem aqui, outra sobre o modismo, e por aí vai. Depois o assunto são os bens: casa, economia, rendas, carros _ ai, meu Deus! _ carro é demais; quando começam falar de carros... Ninguém merece!
_ E você, que carro tem?
_ Não tenho.
_ Por quê?
_ Prefiro transporte público. Gosto de andar de trem.
   E olha para as pessoas ao redor e diz: "Ele sempre foi brincalhão assim. E meio estranho também, não é verdade?".
Os outros riem.
_ Então tem viajado muito, né? Quando foi à Europa?
_ Nunca.
_ Quando voltou a Minas.
_ Faz tempo.
_ Praia?
_ Tenho trabalhado muito.

A visita, fingindo desconforto, então, olha em volta e encerra o interrogatório com a pergunta fatal:
  _ Pra quê?
  E metendo a mão no bolso, pega o Smart chic e começa a exibir fotos de viagens, hotéis, aeroportos e carros.
Você que não tem nem um jerico amarrado no quintal pensa o quanto seria útil um."poiszé" que o levasse correndo atrás daquele sorriso lindo, que está ausente, e que ilumina a sua vida; mas, pelas suas condições, essa pessoa o trocou por outro, justo nessa época festiva. Que coisa, não?!

Generosamente sua visita te oferece um cartão ou recomenda alguém, oferece um estranho emprego, como se recomendasse a um médico e terapeuta. Mas você precisa mesmo é de exorcismo. Isso mesmo. Aquele sorriso que ilumina a sua vida.
Então você quase engasga, mas engole a saliva.
  _ Gente, eu estou bem!

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Ressaca de alegria

Apelidaram-me de estraga prazer. Já faz alguns anos, como reagi todo nervosinho, o apelido pegou. O motivo?
Por um longo período me fiz essa pergunta e, procurando respostas, cheguei à conclusão de que eles estão certos e eu, contudo, fiquei ainda mais chato. É que tenho a desagradável mania de falar a verdade e não ceder a opiniões se realmente os argumentos não forem relevantes e convincentes. É, defendo meu ponto de vista até o fim, às vezes, ou melhor, sempre pago caro por isso.
Dessa vez foi o bendito comentário sobre a alegria das festas de fim de ano. Que infeliz opinião a minha! Sabe, hora errada, lugar errado e com pessoas erradas; pessoas que se ofendem e são do contra só para se colocarem em destaque? Porém dizem que eu é que sou do contra. Compram, com o menosprezo dos outros, um lugar na primeira fila no espetáculo da amizade e pagam ou oferecem como alegria aos seus ídolos os defeitos dos outros, com piadas e puxa-saquismo. Bem aquele tipo: o chefe abre a boca e ele já ri. Nos ambientes corporativos isso até que é compreensivo. Mas nas festas de confraternização ou entre família?! Ah, dá um tempo, né!?
Ah, sim! Claro, eu conto; eu conto. O que aconteceu dessa vez foi o seguinte: Entre risos e abraços e beijos, a galera, a meu ver, disputavam quem era o mais querido. Nessa disputa pelo primeiro lugar contavam vantagem, uma piada, ou contavam um feito muito interessante _ extravagante, eu diria. Todos eram super-heróis, demais. Coitado de mim, eu sou um humilde observador, me sentindo perdido por saber que comparado a eles, sou nada especial. Mas alguém me intima, medindo-me rapidinho dos pés à cabeça, com certo desprezo, e me põem na roda.
_ Fala aí, meu, o que você acha?
_ Eu diria que podemos classificar certas datas como sendo o dia da falsa amizade. Todo mundo se abraça, se beija, diz o quanto admira e até que ama, mas não sustentam essa verdade nem por 24 horas. Aliás, no dia seguinte acordam com o espírito de ressaca. O coração dói, o arrependimento sangra o coração, e já evitam olhar nos olhos dos “amigos” de ontem. E pensam, com um nó na garganta: “Caramba! Eu abracei fulano; aquele idiota! Não suporto ele.”
É, eu sou mesmo um chato, um estraga prazer. Sou ou não sou? Mas, tudo bem; aprendo a conviver com isso.
E no Brasil, temos muitas datas que nos provoca ressaca de alegria: Confraternização, Natal, réveillon, carnaval...
Ah, só mais uma coisa, eu tive um amor e com ele eu esperava um fim de ano diferente. Não rolou. Será que por isso fiquei assim?
Mas e você, tá com essa cara por quê?

            Bom, de coração, Feliz Natal!

domingo, 14 de dezembro de 2014

Assim como falham as palavras




Assim como falham as palavras quando querem exprimir qualquer pensamento,
Assim falham os pensamentos quando querem exprimir qualquer realidade,
Mas, como a realidade pensada não é a dita mas a pensada.
Assim a mesma dita realidade existe, não o ser pensada.
Assim tudo o que existe, simplesmente existe.
O resto é uma espécie de sono que temos, infância da doença.
Uma velhice que nos acompanha desde a infância da doença.
                                                      (Fernando Pessoa)

Agora eu sei

Bom, agora eu sei
porque tive sobre mim os afagos das mãos da esperança
e a luz do sol clareando os caminhos.
Agora sei
porque fui levado pela inocência a apanhar flores entre espinhos...

Porque vivi os dias mais belos na companhia de uma amiga maravilhosa
_ uma mulher linda _ que tem generosidade nas atitudes e no olhar.
Eu vivia, embora não soubesse, junto à felicidade
sob olhar luminoso de um sol cálido
que tem o sorriso como um frescor de brisa.

Agora sei o que é o amor.
E conheço do amor todos os sentidos
embora não tenha dele o fruto colhido
tampouco tenha do seu perfume usufruído
e do sabor exótico provado, divinal...
Contudo, exultou-me a vida conhecê-lo.
E ainda meu olhar e meu coração jubilam-se ao vê-lo. 
Fruto temporã
que desde a infância cobiço e minhas mãos não alcançam
que tão cedo amadureceu e tão tarde se me apresentou sua forma, sua cor, seu perfume...
e ocultou-me cruelmente o conhecer na amplitude sua beleza...
e o conceber a concepção aos sentidos toda percepção do seu sabor.

Agora crescido, engenheiro estrategista, ainda cobiço
o fruto da árvore amor;
e ainda tão debilitado e ingênuo sou
quanto a antiga criança
o velho homem, criança que errou.

Agora sei que o amor é a inocência que doma o homem;
é a caça que aprisiona o caçador.

Agora sei:
o sol é mais perfeito que o arco-íris

porque é magnífico e constante.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Sede

Numa noite dessas acordei com sede, a garganta seca, fui até a cozinha, peguei um copo de vidro transparente e o enche até a borda com o precioso líquido cristalino _ água potável...  Nessa hora pensei algo profundo _ às vezes sofro de filosofia. Eu não queria água, apenas água; eu tinha sede, muito sede, uma sede enorme de algo incomum. Sede do desconhecido que há muito é sabido. Sabe, uma sede que tira o sono.
Mas eu não sabia do que era. Eu não fazia a mínima ideia do que me provocara tanta sede.
Eu tinha muita sede.

Fui até a geladeira e me deparei com algo que me chamou a atenção. Vi no cantinho, bem lá no fundo, um champanhe que sobrara do réveillon. Ficara esquecida ali há muito tempo. Há exatamente doze meses foi a última vez que eu lhe dera atenção. Estava suada. Parecia triste. E, ao nos encararmos, tive a impressão de que ela se alegrava com a minha humilde presença. Sensibilizei-me, claro!
Enfim, depois de muito, muito tempo, eu despertava alguma reação com o meu calor humano. E por que não, prazer?




sábado, 6 de dezembro de 2014

Só para os íntimos

Um amor desfeito é uma esponja úmida:
Apaga a esperança
Descolore o mundo
Esconde o sol
Deixa tímido o sorriso.
Um amor desfeito apaga a vida.

Mas fica no ar  uma poeira que incomoda, como resíduos de giz, partículas vagando em vão, tremeluzindo, tentando se reconstituir para cumprir o compromisso de imprimir uma história.

As partículas que flutuam ao redor de mim, inflamando, irritando meus sentidos, nublando, anuviando-me os olhos, se juntas, têm o brilho mágico para recompor o colorido original da vida.

Mas não quero, não devo, não posso lamentar o ontem, o hoje, o que passou; esse instante, o que virá, e depois...

O agora é transição;
E nada melhor do que os fatos da vida em transição. Nada mais empolgante e atraente do que o movimento. O movimento é o que há de mais significativo nessa divina existência. Mover-se!...

Nada mais digno do que saber-se vivo _ mesmo que essa consciência se nos desperta de um amor indigno. Por isso, eu quero um amor verdadeiro.

Só mesmo o amor verdadeiro é capaz de levar o homem nas nuvens, entre as estrelas, no cimo do destino, na misteriosa escalada da vida.

Quero um amor verdadeiro.
Cansei de ser um mero doador, só eu sempre, a oferecer amor verdadeiro.
Todas as vezes que amei, ofereci amor verdadeiro;
Agora, quero um amor verdadeiro.

Existe sim, amor verdadeiro;
Todas as vezes que amei, foi amor verdadeiro.
Como será que é o amor verdadeiro?

Eu quero muito sentir o que sente aquele que recebe amor verdadeiro.
Às vezes penso, como seria bom um amor recíproco, de igual proporção, grandeza equivalente; um amor linkado direto, para download e upload, direto ao coração. Um amor assim, cliente/provedor, compartilhando intimidades. Um amor de salvação. Um assim é o que ofereço e espero na minha doce ilusão.

Isso exige responsabilidade, cuidado, porque o mundo é muito estranho.
O amor verdadeiro é algo meio complicado. É exigente. É uma mistura de não e sim na plenitude da sua liberdade de ser como é. Mas essa perfeição é nada ser além da simplicidade da sua perfeição de apenas existir. Exige exclusividade. E nessa prioridade exige-se que o seja proclamado e exaltado. Contudo exige sigilo. Que o seja compartilhado só para os íntimos. Por quê?

Ora! Por que! Os pastores são hostis e o amor é um cordeiro. O mundo adora sacrifícios. O amor é sempre ingênuo e puro _ uma bela oferenda. E eu lhes digo: Não há no mundo pessoa mais íntegra do que aquela capaz de oferecer amor verdadeiro. Ah!...

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Solidão

"Ninguém faz falta; não fazes falta a ninguém... Sem ti correrá tudo sem ti."

Se te queres matar, porque não te queres matar?
Ah, aproveita! que eu, que tanto amo a morte e a vida,
Se ousasse matar-me, também me mataria...
Ah, se ousares, ousa!
De que te serve o quadro sucessivo das imagens externas
A que chamamos o mundo?
A cinematografia das horas representadas
Por actores de convenções e poses determinadas,
O circo policromo do nosso dinamismo sem fim?
De que te serve o teu mundo interior que desconheces?
Talvez, matando-te, o conheças finalmente...
Talvez, acabando, comeces...
E de qualquer forma, se te cansa seres,
Ah, cansa-te nobremente,
E não cantes, como eu, a vida por bebedeira,
Não saúdes como eu a morte em literatura!
Fazes falta? Ó sombra fútil chamada gente!
Ninguém faz falta; não fazes falta a ninguém...
Sem ti correrá tudo sem ti.
Talvez seja pior para outros existires que matares-te...
Talvez peses mais durando, que deixando de durar...
A mágoa dos outros?... Tens remorso adiantado
De que te chorem?
Descansa: pouco te chorarão...
O impulso vital apaga as lágrimas pouco a pouco,
Quando não são de coisas nossas,
Quando são do que acontece aos outros, sobretudo a morte,
Porque é a coisa depois da qual nada acontece aos outros...
Primeiro é a angústia, a surpresa da vinda
Do mistério e da falta da tua vida falada...
Depois o horror do caixão visível e material,
E os homens de preto que exercem a profissão de estar ali.
Depois a família a velar, inconsolável e contando anedotas,
Lamentando a pena de teres morrido,
E tu mera causa ocasional daquela carpidação,
Tu verdadeiramente morto, muito mais morto que calculas...
Muito mais morto aqui que calculas,
Mesmo que estejas muito mais vivo além...
Depois a trágica retirada para o jazigo ou a cova,
E depois o princípio da morte da tua memória.
Há primeiro em todos um alívio
Da tragédia um pouco maçadora de teres morrido...
Depois a conversa aligeira-se quotidianamente,
E a vida de todos os dias retoma o seu dia...
Depois, lentamente esqueceste.
Só és lembrado em duas datas, aniversariamente:
Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste;
Mais nada, mais nada, absolutamente mais nada.
Duas vezes no ano pensam em ti.
Duas vezes no ano suspiram por ti os que te amaram,
E uma ou outra vez suspiram se por acaso se fala em ti.
Encara-te a frio, e encara a frio o que somos...
Se queres matar-te, mata-te...
Não tenhas escrúpulos morais, receios de inteligência!...
Que escrúpulos ou receios tem a mecânica da vida?
Que escrúpulos químicos tem o impulso que gera
As seivas, e a circulação do sangue, e o amor?
Que memória dos outros tem o ritmo alegre da vida?
Ah, pobre vaidade de carne e osso chamada homem,
Não vês que não tens importância absolutamente nenhuma?
És importante para ti, porque é a ti que te sentes.
És tudo para ti, porque para ti és o universo,
E o próprio universo e os outros
Satélites da tua subjectividade objectiva.
És importante para ti porque só tu és importante para ti.
E se és assim, ó mito, não serão os outros assim?
Tens, como Hamlet, o pavor do desconhecido?
Mas o que é conhecido? O que é que tu conheces,
Para que chames desconhecido a qualquer coisa em especial?
Tens, como Falstaff, o amor gorduroso da vida?
Se assim a amas materialmente, ama-a ainda mais materialmente:
Torna-te parte carnal da terra e das coisas!
Dispersa-te, sistema físico-químico
De células nocturnamente conscientes
Pela nocturna consciência da inconsciência dos corpos,
Pelo grande cobertor não-cobrindo-nada das aparências,
Pela relva e a erva da proliferação dos seres,
Pela névoa atómica das coisas,
Pelas paredes turbilhonantes
Do vácuo dinâmico do mundo...
Poesia de Álvaro de Campos _ Fernando Pessoa.
 

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Minha felicidade está triste


Minha felicidade hoje está triste
Pois sua felicidade acidentou-se.
Ferida, não consegui sorrir;
Nem eu.



Minha felicidade é linda
É humanamente Divina
Pura de coração.
Ela canta
Compõe
Toca violão,
Mas hoje, abatida, silenciou-se.

Ela é mãe da sua própria felicidade:
_ dois seres que si mesma se fez; amores perfeitos _,
E o que eu posso oferecê-la é nada
Comparado ao que ela me trouxe
E a tudo que ela me fez.

Ela doara-me um sorriso
E sua luz se esparge imensamente dissipando a escuridão
E os horizontes se expandiram cativando minh’alma
E revigorando meu coração.

Ela emprestou-me o ombro
Acolheu-me no colo
Acalentou-me
Pacificou-me
Sossegou meu espírito;
Resgatou minh’alma aflita do abismo da solidão.
E o que eu posso oferecer-lhe é nada
Sou pássaro sem asas, sou nada, sem ela diante dos meus olhos
Ampliando minha visão.

Minha felicidade está triste
Está ausente
Está distante...
Mas a minha felicidade é linda
Apesar de triste,
Existe.














quinta-feira, 24 de julho de 2014

Agressão involuntária nos relacionamentos

O que seria um beijo de boa noite acabou sendo um beijo na boca. Ignorei, tinha que ir para casa. Estava habituado a sair do trabalho e ir direto para casa.
Segui meu destino leve, oscilando ao sabor do beijo e ajuizando sobre um assunto delicado: violência domestica. Refiro-me especificamente à agressão involuntária nos relacionamentos, que são ocorrências perigosas e merecem atenção; porém é comum, por isso são ignoradas. Nos relacionamentos ocorrem muitos tipos de ameaças, que são relevadas, porque existe muita cumplicidade entre o casal ou a família. A separação também é uma ameaça que assusta; assim vão levando.
Sexo contra a vontade do parceiro, isolamento, falta de atenção, grosseria... Percebemos que um casamento chegou ao fim, quando o companheiro dorme; quando dorme sozinho dia após dia sem se preocupar-se se o outro está bem ou não, ou quando se conforma com a solidão e se acomoda. Chega a um ponto em que se dá razão ao outro por se achar que é merecedor do sofrimento.
Particularmente, me preocupa o ato sexual. Acredito que seja a mais comum e a mais agressiva dentre as diversas formas de agressão. As pessoas se agridem ou se deixam ser violentadas com frequência. Cometem ou se submetem às agressões por medo, por compromisso, por gratidão ou por medo inconsciente da solidão.
 O solitário se agride com a falta de sexo, ou se permite sexo casual ou comprado. No fundo, todos se agridem quando não ama ou não é amado. Conheço caso de pessoas que não suportam seus parceiros, e que, no entanto, cumprem o ritual de transar por compromisso, por obrigação. Nem sequer podem pensar em outro, pois, segundo as normas religiosas, é pecado e traição. Outros fingem para a sociedade que, vivem em harmonia, formam uma família feliz, é um casal apaixonado, entretanto nem ao menos se tocam. Outros se entregam às orgias, se lambuzam e se esforçam para esconder que sentem nojo dos parceiros. Que vida!
Vejo, por aí, nas fisionomias de muitas mulheres, transparecer uma alegria sem viço, uma  sombra de desilusão, e uma grande chama de desejo e urgência de carinho. Fogo e gelo; tudo em chamas ardendo na mesma fogueira. As mulheres se arrumam, se enfeitam e se perfumam, para camuflar uma tristeza crônica.
A tristeza fica esquecida quando uma pessoa se fantasia; e a melhor fantasia é esconder-se em si mesmo. Observo pelas brechas da vaidade a feiura escondida e a verdadeira beleza sufocada. Nada é real, nem os  sorrisos, nem as lamúrias. O que é verdadeiro é o oculto, que no vacilo transcende dos vãos da camuflagem. As mulheres se produzem graças ao instinto solidário e protetor, para que a vida não vá se descolorindo e o mundo se faça totalmente em trevas. Vez ou outra, uma mulher que se despe. Como é linda a mulher autêntica, transparente, nua! Como é bom conhecê-las.
Já, o homem nunca tira a armadura. Depois de armar-se e esconder-se na caverna da mentira é o senhor ninguém, vencedor inatingível, jamais se reconhece vencido. Quando ocorre se joga no precipício.
Já fui além desse estágio. Nas páginas em branco construo uma caverna e me escondo.
 (Do livro: Um minuto, por favor!, por Poetray)
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segunda-feira, 23 de junho de 2014

Livro de poesias _ Lançamento

Ray Poetray nos convida para conhecer seus versos intimistas. A poesia, segundo ele, é a melhor forma de falar de sentimentos.
Confira na página do autor: www.agbook.com.br

          


segunda-feira, 9 de junho de 2014

Um minuto,por favor!

Angústia, inquietação, mau-humor, desânimo e sensação de impotência; foi o que ganhou um funcionário de telemarketing, atuando em uma empresa multinacional global, com sede em Paris, França. Por mais de um ano o personagem conviveu com esses sintomas diariamente, sem ter apoio e sem saber o que fazer, esforçava-se para manter o equilíbrio na rotina de São Paulo, às vezes prestes a explodir ou sentindo-se como uma alma penada, até tomar uma atitude e desenvolver os próprios meios de lidar com o problema: a depressão.
Disponível nas livrarias e no site: https://agbook.com.br/book/166926--Um_minuto_por_favor
Fale com autor, envie sua crítica.


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quinta-feira, 8 de maio de 2014

sábado, 5 de abril de 2014

Minha Paz

Minha paz não tem sobrenome
É uma junção de poemas
Uma breve história de amor
Repleta de dilemas.

Mas é um romance poético
Lírico
De uma personagem singular, bela
Que não tem sobrenome;
É um poema de Deus a vagar
Como hálito de luz de ninfa expandindo-se
Para proliferar;

É uma brisa ardente de amor
É orvalho reluzente num raio de luar
Que me aviva e me consome
Consome e reanima
E depois me faz sonhar.

Minha paz tem olhos
E neles abrigam-se o sol e o mar.

Só minha paz tem olhos que aquecem minh’alma
E a voz é ária suave pra me acalmar.

Só ela, a minha paz, tem olhos que me veem;
Só ela sabe me encontrar.

Quando quero estrelas, estrelas são.
Os céus se abrem e meus olhos nos teus olhos voam
E minh’alma leve, não voa em vão.
E canta hinos à brisa estelar
Louvores vindos do sol posto nas águas do teu olhar.

Ah! minha paz, minha paz, minha paz...
Minha paz.
O que seria do amor sem o amor que nos dá paz?
O que seria de Deus?
 Toda fé oriunda da luz da paz.

Minha paz não tem sobrenome
É uma junção de poemas
Um riso divino colorindo a vida impressa em gris;
É o lume fulgente do verso feliz.

Minha paz é teu corpo nu
Minh’alma suja, purificada no teu céu límpido, fluorescente e azul
Bendiz o dia em que a conheceu...
Lu.

Minha paz tem braços que abraçam
Mãos que acariciam e apontam caminhos
Pés que deixam rastros que me guiam.

Minha paz é da paz, nunca se zanga
Sabe esperar
Confia no amor e ama em paz
Não guarda rancor, perdoa
E me faz sentir vencedor, pois,
Sabe que sou humano, fraco e pecador.

Mas sou dependente, e ela finge não ver.
Sou carente e inseguro, mas ela sabe entender.
Me salva dos pesadelos
Clareia minha mente
Alimenta meu ego
Faz-me sentir gente.

Minha paz, minha paz, minha paz!...
Tenho medo da mansidão do rio, tanto quanto das águas correntes.
O que será de nós, deuses mortais?
O que será de mim sem teus beijos, teus risos e ais?
O que será da gente?

Se um dia eu te perder
Minha paz...

Minha paz não tem sobrenome
É o poema que Deus criou;
Mas tem endereço fixo, meu coração;
E meu coração é um berço de amor
E só no amor se encontra a paz.
E Deus,
Deus está aonde?

O meu amor é eterno.



Nota do autor: (Poema "Minha Paz", em homenagem à Luciana Silva,  no shopping União, Osasco, após prova de concurso público)

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