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quarta-feira, 26 de junho de 2013

A maldição do inverno

Itapevi, primeiro de inverno de 2013;
A maldição se repete:
A solidão se apresenta a mim, através de uma mensagem de texto, SMS.
Sinto um arrepio percorrer meu corpo inteiro.
É o primeiro presságio; o primeiro sintoma de abandono.

O anjo, amante-amigo, se transforma em fera indomável, enfurecida.
Ela foi se afastando aos poucos, de mansinho, como mãe desmamando seu filho, e se rebelou.
Sabe da minha dependência dos seus carinhos.
Sabe que na altitude a que fui levado pelo amor não saberei como prosseguir e não terei como me estabilizar.
E em queda livre não restara homem, muito menos forças pra recomeçar no amor.
Agora me cobra uma decisão e atitudes que não posso tomar.
As reivindicações são justas, porém não depende somente da minha vontade concedê-la. É o fim.

Eu tinha esperança de que ela repensasse. Eu a propus que reconsiderasse.
Eu estipulei um tempo pra que ela pensasse. Mas, pelo jeito, já era caso pensado.
Acho que o maior erro do homem é se precipitar ao dizer que ama; igualmente, ou erro maior talvez seja tardar tanto e não dizer "Eu te amo!".

Ficou o beijo; a lembrança do calor latente do sexo; a palavra amiga; os sonhos...
Até o último instante do dia eu esperei que ela voltasse... e ainda espero.
Então poderia dizer: Eu te amo! E num momento de êxtase ela também diga: Você é o meu homem.
Mas, por enquanto, tenho a maldição do inverno: a solidão.

É o fim.

domingo, 23 de junho de 2013

Arnaldo Jabor pede desculpas, mas quem o ouviu?

O comentário absurdo:http://globotv.globo.com/rede-globo/jornal-da-globo/v/arnaldo-jabor-fala-sobre-onda-de-protestos-contra-aumento-nas-tarifas-de-onibus/2631566/

A língua girava no céu da boca


A língua girava no céu da boca. Girava! Eram duas bocas, no céu único.

O sexo desprendera-se de sua fundação, errante imprimia-nos seus traços de cobre. Eu, ela, elaeu.

Os dois nos movíamos possuídos, trespassados, eleu. A posse não resultava de ação e doação, nem nos somava. Consumia-nos em piscina de aniquilamento. Soltos, fálus e vulva no espaço cristalino, vulva e fálus em fogo, em núpcia, emancipados de nós.

A custo nossos corpos, içados do gelatinoso jazigo, se restituíram à consciência. O sexo reintegrou-se. A vida repontou: a vida menor.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Protesto


Ativistas do bem, Movimento Humanistas, Democrático, Meio Ambiente, Passe Livre,... Todos os manifestantes que reivindicam por direito e justiça, bem-vindos. 

Luta interminável! É preciso ter espírito de guerreiro gigante. E como se tornar um gigante lutador? 

Somos forjados a isso no árduo exercício da sobrevivência. Invejo esses manifestantes que se expõem aos perigos à margem dessa democracia enganosa, protetora do capitalismo. Invejo os militantes políticos que se vestem da causa partidária, em defesa de utópicas ideologias que ocultam em si os verdadeiros ideais dos dirigentes que, na sua grande maioria, não tem escrúpulos. Esses manifestantes são soldados de linha de frente, levados a abrir caminho, confundir o opositor, distrair a grande massa e lutarem contra fantasmas até a morte... Muitas vezes lutamos contra nós mesmos. Um e outro podem se tornar mártir, no máximo. Mas tenho uma pontinha de inveja, confesso. Invejo-os, e sou a favor de todo e qualquer tipo de manifestação por justiça social. 

Uma atitude em prol de um objetivo, por mais simples que seja, é digna de respeito. Mas em toda atitude corre-se o risco da decepção. Porém nenhum prazer se iguala à satisfação de se sentir vivo, útil e notado. Quisera eu ter uma atitude revolucionária. Quisera preocupar o senado, cassar os bens aos corruptos, ameaçar os gringos exploradores da mão de obra barata que alimentam a miséria que engorda seus lucros. Ah, quisera! Queria muito soltar meu grito. Quem me dera trinta segundos; pelo menos para contestar Arnaldo Jabor que, diante de milhões de telespectadores, menosprezou nossa sensibilidade. Outro dia, não consegui me atentar ao fim do Jornal da Globo depois que tal comentarista vomitou seu desprezo na cara dos brasileiros, chamando-os vândalos, arruaceiros de classe média, que faziam vandalismo por míseros vinte centavos. Inacreditável tamanha ignorância e falta de competência! Incapaz de ver além do gesto. Mostrou-nos, em poucos segundos, como nós brasileiros legítimos somos ignorados. Naquele momento o escritor, cineasta, e principalmente o jornalista-comentarista, manchou sua imagem como homem. Fiquei indignado. Perdi um ídolo. 

Temos que nos tornar gigantes e sacudir o mundo. Como? 
Formando um corpo de milhões de cérebros com o olhar focado num só horizonte: o futuro do Brasil e dos brasileiros.

Mas atenção! sem violência. Denunciem os vândalos e se afastem deles.
Ah, um detalhe importante: a voz precisa de um corpo, portanto, um grito político precisa de um corpo político. Sejamos flexíveis e racionais e aceitemos o apoio dos partidos, das organizações religiosas e de todas as classes sociais. Isso será fundamental para tirarmos a máscara do senado e do congresso. No ninho da serpente se abriga a corrupção. Nosso campo é a rua e nossa arma é a união. 

Vamos dar um vassoura para a presidenta?
Só assim um presidente será capaz de governar.

domingo, 16 de junho de 2013

A alma humana é porca como um ânus

A alma humana é porca como um ânus
E a Vantagem dos caralhos pesa em muitas imaginações.
Meu coração desgosta-se de tudo com uma náusea do estômago.
A Távola Redonda foi vendida a peso,
E a biografia do Rei Artur, um galante escreveu-a.
Mas a sucata da cavalaria ainda reina nessas almas, como um perfil distante.
Está frio.
Ponho sobre os ombros o capote que me lembra um xaile —
O xaile que minha tia me punha aos ombros na infância.
Mas os ombros da minha infância sumiram-se antes para dentro dos meus ombros.
E o meu coração da infância sumiu-se antes para dentro do meu coração.
Sim, está frio...
Está frio em tudo que sou, está frio...
Minhas próprias ideias têm frio, como gente velha...
E o frio que eu tenho das minhas ideias terem frio é mais frio do que elas.
Engelho o capote à minha volta...
O Universo da gente... a gente... as pessoas todas!...
A multiplicidade da humanidade misturada
Sim, aquilo a que chamam a vida, como se só houvesse outros e estrelas...
Sim, a vida...
Meus ombros descaem tanto que o capote resvala...
Querem comentário melhor? Puxo-me para cima o capote.
Ah, parte a cara à vida!
Levanta-te com estrondo no sossego de ti!

Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Grato

(Em homenagem a Luciana, meu amor)


Poetray

Grato! Por enxugar-me o pranto com o calor deste sorriso
e amenizar minha dor com este olhar de ternura e brilho 
cujos raios minh'alma aquecem; 
pois viver é isso, 
e muitas vezes, isso, agente esquece.

Vaguei pela escuridão sem nenhuma esperança 
_ e sem vontade de tê-las_, 
confesso: vagueei até encontrar-te; 
e ao vê-la, fui resgatado e liberto 
e novamente posto, deste lado oposto, 
sob tua face _ meu céu de estrelas.

Grato! Pela vida que se ilumina. 
Inda dói, perturba certa angustia no peito, 
_ mas nenhum receio que oprima _, 
é que o passado nunca é desfeito 
e cicatrizes são lembranças, essas não tem jeito, 
só o tempo cura certos males e seus efeitos.

Doce, doce, doce!... 
Água e fonte, perfume do campo 
brisa;
minha flor...
Grato, por enxugar meu pranto!


Itapevi-SP 12/06/13 




domingo, 9 de junho de 2013

Efeito dominó

Poetray

Sinto-me meio zonzo esta manhã. Acho que são os efeitos das notícias; todas as manchetes dos jornais televisivos hoje são desanimadoras e intragáveis. Não as citarei, pois são corriqueiras; exceto a vitória do Brasil sobre a França. Um placar expressivo.

Meu café da manhã tem sabor de chocolate, embora seja muito amargo o valor. O leite, o pão, o achocolatado dão à vida um belo sabor. Mas falta sucrílhos _ a marca que a criançada adora _, porque custam os olhos da cara. Queijo e frutas na mesa, nem se fala, já se tornou coisa rara.

Eu brinco com a colherzinha enquanto misturo o pó ao leite e penso na economia. O barulho irrita a mulher. E não, eu não sou economista nem tenho economias; o contrário é o que é.

A cabeça dói. Falta-me estômago para as injustiças. Ainda não inventaram “Engov” para alterar certa natureza psíquica.

Eu pago impostos sobre tudo que consumo. Pago pela escravidão, produtos e insumos. Eu pago para ser brasileiro. Pago pelo que fui e o que somos...


Chego à janela porque ouço cantar o bem-te-vi. “Cerração baixa, sol que racha”, o dia mostra a face de luz. Eu calço o tênis, me benzo, tranco a porta e caminho para a cruz.

Sombras

Sabe esses dias de inverno incrivelmente bonitos?
Desde manhãzinha o sol brilha. Poucos blocos de nuvens alvas dispersas sob o manto azul...
E aquela expectativa de ver "Ela"; aquela pessoa especial que é ainda mais bela que todo o esplêndido conjunto de encantos da natureza que adorna o dia. Mas no decorrer das horas, embora o dia permaneça lindo, vai dominando agente aquela sensação de que não vai acabar bem, algo ruim vai acontecer.

Aconteceu. Seis de junho, hoje, ano 2013, foi assim: Vivi a magia do sonho algumas horas do dia, e findou com a negritude da realidade envolvente da noite.
Mas, na verdade, há três dias já vinha sentindo um crescente pressentimento de ameaça de descontentamento e, nesse dia, eu sabia que seria o pico, o dia fatal da decepção.

Quando já se está esperando uma decepção ela não falha e sempre vem acompanhada. A tristeza é visita que não se atrasa, se é convidada comparece. Nunca é tão grave por já não ser total surpresa, absolutamente; mas parece que a vida ironicamente se reparte para lançar sobre sua cabeça uma chuva de descontentamento, em pancadas, de tempo em tempo, todo o dia, intercalando a cada despertar de um devaneio. Sim, quando se está amando se devaneia sempre, apesar das chuvas, apesar do tempo.

Pois bem, no fim do dia acabou o mistério. O tempo se estabilizou sombrio, e, dentro de mim, tempestuoso. Eu a vi com outro. Mas a natureza é sábia ao reger nossas vidas, tudo se renova independente das condições do tempo, dos pressentimentos e fantasias. Vale. Um novo amanhecer é sempre um desafio e recompensa.

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