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sábado, 24 de novembro de 2012

Alento ao desalento


_ Um riso para o meu pranto!

Tenho os passos firmes
Agora que estou agarrado a tuas mãos invisíveis.
Confio nos teus atos seguros;
Confio na tua atenção para comigo.
No teu cuidado de Pai
No teu capricho de mãe
No teu zelo de amigo.


Hoje tenho os s passos firmes

Porque sei que não estou só;

E que jamais estarei, 
Pois sei que até o próprio chão
Criaste para amparar-me
E as pedras dão sentido ao meu caminho                                                                                     E brotam flores por onde passei.




E por todo universo existem estrelas.
-->


Mãos que outrora me acariciavam

Hoje, aplaudem meu descontrole e meu vacilo.

A voz que dizia prelúdios de amor
Hoje, resmunga augúrios a minha desilusão.



Mas sou forte.

Tenho os passos firmes.

Ao chão decairei somente após a morte,                                                                                     Inda com tua benção consoladora.
Mas, meu espírito, bem sei, até em tal circunstância, ascenderei glorioso
Levado pela brisa de tua misericórdia protetora.



Não decairei jamais

Nas profundezas do abismo, 

Como antes andei, abatido e desprezível, 
Sob o domínio da turbulência dos insensíveis.



Liberto, agora, está minh’alma das presas do vício, 

Das armadilhas do sexo, 

Das façanhas dos desejos complexos, 
Sem precedentes fixos, num sentimento completo
Que seja de benção divina e que abençoa, 
Que seja amor verdadeiro, humano, 
Próprio de quem ama, compartilha, e perdoa.



Sinto frio.

Meu corpo arde de carência e desejo.

Tudo em meu pensar me leva a promíscuos anseios
De viver uma emoção de prazer e satisfação; 
Contudo, o que me vem de bom grado é pecado
E o que me vem da benção de matrimônio
Vem-me como por obrigação ou engano.



Muito já lamentei meu destino,                                                                                                  Na minha velha face de menino;

O presente de um futuro em projeção 

Não obstante, hoje, não rio, 
Também não choro, 
Sou indiferente à carne, 
Sou mais teu espírito consolador, 
_ Barco, âncora, vela, e o leme em vossa mão.


Sou o barco à deriva navegando
Sobre ondas turbulentas
E mesmo quando no vácuo horripilante da maré
Ceio, em paz, da fartura do teu alento.


E vendo o reluzir do céu fulgente em pranto

Doando ao mar, à terra, sereno e vento

Durmo na paz do teu acalanto.



É; São assim meus dias nos últimos tempos...

Não falo de mim,

Não murmuro aos ventos
_Não quero dividir dor; 
Não darei a outro o sabor do meu sofrimento. 



Não falo de mim,

Porque a outro pareceria tormento;

Ninguém entenderia que minha dor não é simplesmente dor, 
E sim, riqueza que faz crescer um espírito em desenvolvimento.



Vou assumir meus pecados perante o mundo                                                                           _em suma,                                                                                                                                                                                                         vou sacudir o mundo com meus pecados;

Os meus

Os dela
Os deles... os teus.
E de quem mais quiser que eu assuma.
Assumirei pecados e penitências, 
E ainda porei meus arrependimentos em suma.




Hoje; logo hoje!

Dia em que a data pesa mais que a cruz

E o domingo é mais sangrento que o dia da paixão; 
Não que eu queira me comparar a Cristo
Mas meus dias são antevésperas e vésperas
E nunca manhãs de ressurreição...



Minha cruz não pesa mais que pétala ao vento

Ou o madeiro sobre o cérebro das formigas

Porém, para um homem, nada mais é tortura
Que a tortura de noites e noites mal dormidas.



Novamente estou casto

Como jovem sacristão

Que abre mão da namorada
Para glória da devoção.



Ingenuidade de criança

Que não sabe o maior mandamento: 

Amar a Deus sobre todas as coisas, 
E de toda tua alma, a ti mesmo
Que é o próximo mais próximo
E de Deus Divino templo.



Mas a Deus pertence o tempo

Como o homem pertence aos ventos da emoção.

Vou de barco, vou de pé, vou de vento, de sonhos
De poeira de constelação,
Vou de cruz aos ombros e cravos,
Ditando meu pergaminho; 
Mas vou, quedando-me e caindo, 
Mas de pés firmes no caminho
Porque tenho o afago Divino
E uma mão na minha mão.

(Da coletânea: "Sol, poesia e dor" , anda não publicado.)

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