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sábado, 20 de junho de 2020

Nunca mais, nunca mais


Nunca mais, nunca mais.
Nunca mais
Atrevi-me dizer que te amo.

Seguro a voz na ponta da língua
Já por entre os dentes escapando.
E engulo de volta, a seco, as palavras.
Também desfaço dos olhos o brilho tirano.

O que escapa é vento, brisa morna
Que move levemente os ramos.
Não faz nenhum mal,
Jamais este amor lhe causaria algum dano.

Amor não faz mal a ninguém, garanto.
Nenhum estrago intencional;
Se o fizer é por engano.

Nunca mais me atrevo dizer que te amo. Nunca mais.
Agarro pelas costas as palavras
Que por brechas vão escapando
E lhes mostro outro caminho, amargo
Pelo qual, inocentes, vão se afogando.

Nunca mais direi...
A não ser que você peça,
Nunca mais vou dizer que te amo.

Represo assim este rio.
O que retenho é lava,
Liquido de amor que flui borbulhando.
Devia ser frescor para o mundo, mas
O mundo e você tem outros planos.

Em mim, volta à magma e desce queimando
Destruindo tudo; exceto
Este secular desejo de vida
Acordado há poucos anos.

Portanto a este amor engulo
Para não vomita-lo, de novo,
Ao desengano.

domingo, 12 de abril de 2020

Vetores operários


COVID - 19 _ o mal que nos faz repensar a vida.

Nesse momento crítico, muitos trabalhadores formam um grupo de grande ameaça. No setor de recebimento e distribuição de encomendas das empresas de logística não se faz apenas atividades essenciais. A maioria absoluta das encomendas podem ser consideradas supérfluas. O aumento das vendas online comprovam essa observação. Os produtos mais vendidos alimentam a vaidade. Portanto, de essencial pouco se faz nessas empresas. Ao contrário, funcionários e objetos são potenciais vetores do vírus visto que nesses setores de manuseio ignora-se as regras recomendadas pelo Ministério da Saúde. Por isso, indubitavelmente, o serviço oferece riscos e pode ser um agravante da situação.
Você também é da área? Lamento, somos prejudiciais. Embora digam  pertencermos à classe dos que prestam serviços “essenciais”.
Temos consciência da gravidade de não estarmos prestando serviço útil para a sociedade. Entretanto nos sentimos impotentes, de mãos atadas e atuando na contramão do senso de responsabilidade. Porém convém esclarecer que a contravenção ao senso e à prestação ao desserviço geralmente se dá sob ordem de silêncio imposta pela empresa ou pela simples necessidade de garantir nossa sobrevivência.
Contudo o objetivo primordial nesse momento deve ser o de colaborar para salvar vidas. O que de essencial nós rebemos e encaminhamos para as pessoas ou para os órgãos de saúde para salvar vidas? Senão remédios, respiradores, equipamentos de proteção, alimentos, produtos de higiene, a solidariedade é o que mais a humanidade precisa nesse momento. Claro, no mínimo máscaras e luvas as empresas deveriam oferecer como barreira contra o vírus.... Talvez, para o tratamento de encomendas realmente essenciais não seria necessário nem 10% do pessoal que se deslocam das suas casas para o trabalho, ficando expostos em um ambiente impróprio nesse momento.
Reafirmo, funcionários de logística também são potenciais vetores na disseminação da Covid-19. Se você sequer utiliza luvas e máscaras para evitar uma possível contaminação, você pode não estar sendo útil. E melhor seria tomar a difícil decisão de ficar em casa.
Não devemos andar na contramão. Temos de evitar que nossa atitude fortaleça o mal que precisa ser combatido.
Sem os devidos cuidados, essa área, especificamente de preparo e distribuição, nos guia na contramão das necessidades dos órgãos da Saúde pública, nos expondo ao risco de nos tornarmos disseminadores da doença que pode matar alguns de nós, nossos familiares e milhares de pessoas.
Saindo de casa, e atuando de maneira inadequada no trabalho, somos ameaça, o que, certamente, é contraditório à identidade organizacional defendida por sua empresa. Fale isso para os gestores. Eles podem estar criando uma imagem negativa da organização que jamais será apagada. Caso aconteça, a empresa e seus funcionários serão odiados por fazer propagar o mal da pandemia pelo país. E isso não será um marco digno de orgulho da história de todos.
Diante da desgraça que assola o mundo, todos nós temos de ser solidários e praticar o bem. A união e a solidariedade por meio da compreensão são as verdadeiras necessidades da sociedade nesse momento. Devemos aderir às recomendações de precaução e atender aos apelos feitos pelos especialistas e autoridades dos Estados e municípios que lutam para o bem da humanidade.

"SOLUÇÕES QUE APROXIMAM", contra o CORONAVÍRUS, eficaz nesse momento é o isolamento.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

Na curva do tempo

 

Na curva do tempo eu vi evidências incomum.
Vi homens e mulheres errando pelo caminho
Vi casais do mesmo sexo trocando carinho.

Vi homens se beijando, chorando, sorrindo
Predadores e presas se interagindo.

Vi mulheres reivindicando direitos
– statu quo e reconhecimento –
O novo surgindo e o antigo se refazendo
– como conceito, fórmula ou sentimento –;
E pessoas em autodesprezo lutando e se redimindo.
E nas arestas do mesmo espaço eu vi outros se agredindo.

A estrada é fixa e reta
O rio é que corre rápido ou lento.
Vejo que a vida é o mesmo que tempo.

Vi casais que juraram amor eterno se traindo
Vi o sábio, de coração puro, padecer sozinho.
Tudo era normal, exceto as cenas de carinho.

Vi que o perfeito se torna imperfeito se for estático
E o mutante e variável tem em si a mais bela perfeição.

É chocante o contraste.
Mais chocante ainda é a contradição
Pois, politicamente somos todos iguais
E cristãmente somos irmãos.

Nem tudo o que é bom é permitido, plausível
Nem mesmo o simplesmente apetecível ao coração.

Eu já vivi muito, mas quero ainda muito mais.
Quero ir além, até aonde o olhar alcança.
Por isso ando, ando, olhando além dos ideais.
A
inda hei de ver como é a estrada num mundo de paz.